Publicado: · Foto de capa: Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0
Olhão é a capital piscatória do Algarve, a 15 minutos de Faro. A cidade nasceu de um povoado de pescadores à beira da Ria Formosa, e os bairros antigos ainda o mostram: casas brancas de telhado plano, ruas estreitas, mercados à beira-ria e esculturas das personagens das lendas locais. O roteiro abaixo segue pela frente ribeirinha e pelo centro antigo e tem cerca de 1,5 km.
O percurso em resumo
- Distância: cerca de 1,5 km
- Duração: 1h a 1h30 com calma; 2h30 a 3h com o mercado e o almoço
- Início: frente ribeirinha junto ao Marina Ria Center, Avenida 5 de Outubro — mapa
- Fim: monumento ao Patrão Joaquim Lopes, no extremo nascente da frente ribeirinha — mapa
- Entradas: todos os pontos do percurso são gratuitos
O que ver em Olhão
1. A frente ribeirinha e a escultura dos viajantes

Um bom ponto de partida é o miradouro junto à água, perto do Marina Ria Center, onde viajantes de bronze se sentam num banco a olhar para a ria. Onde hoje passa a avenida ribeirinha havia apenas cabanas de pescadores; as primeiras casas de pedra começaram a ser construídas a partir de 1715, e o povoado foi crescendo até se tornar cidade. Ali perto repousa na areia um barco de pesca tradicional — barcos assim sustentavam famílias inteiras.
2. O Jardim do Pescador Olhanense e os painéis de azulejos

O jardim da frente ribeirinha é conhecido pelos bancos decorados com azulejos azuis e brancos. Um dos painéis conta o episódio de que a cidade mais se orgulha: em 1808, pescadores de Olhão atravessaram o Atlântico no pequeno caíque Bom Sucesso para levar à corte portuguesa, no Rio de Janeiro, a notícia da expulsão das tropas de Napoleão.
3. O bairro da Barreta e a «vila cubista»

A Barreta é o bairro piscatório mais antigo de Olhão. Aqui ainda se veem as casas brancas com açoteias e pequenos mirantes que valeram a Olhão o nome de «vila cubista». As ruas são estreitas e sinuosas — ideais para passear sem destino, a reparar nas portas, nos azulejos e nas flores das fachadas.
4. A escultura de Arraúl

A primeira das esculturas dedicadas às lendas locais. Conta-se que Arraúl era filho de Hércules e sobreviveu ao fim da Atlântida: uma onda gigante arrastou-o para o mar, uma baleia engoliu-o, mas ele conseguiu escapar e foi dar à costa onde viria a nascer Olhão. As esculturas das lendas estão espalhadas pelo centro antigo, e encontrá-las faz parte do encanto do passeio.
5. A lenda do mouro encantado (Largo do Gaibéu)

No pequeno Largo do Gaibéu há silhuetas negras de crianças a brincar. Ilustram uma lenda contada por um velho pescador: em criança, um rapaz estranho convidou-o para uma brincadeira, e os dois voaram até ao palácio de ouro escondido de um mouro encantado.
6. A escultura de Floripes

A lenda mais conhecida de Olhão é a da bela e misteriosa Floripes, filha de um mouro. Dizem que aparecia depois da meia-noite e vagueava pela vila e pela praia, sem que ninguém se atrevesse a aproximar-se. A Floripes de bronze, de vestido ao vento, é uma das esculturas mais fotografadas da cidade.
7. Os Mercados de Olhão

Os dois pavilhões de tijolo com torres de cúpula são o símbolo mais conhecido da cidade. Num vende-se peixe e marisco; no outro, fruta, legumes e produtos locais. Os mercados têm mais vida de manhã, e aos sábados realiza-se ao lado um grande mercado de produtores. À volta não faltam restaurantes com o peixe mais fresco da cidade — um ótimo sítio para almoçar.
8. A lenda da fonte mágica

Outra lenda moura: a filha de um velho mouro recusava todos os pretendentes, até que um jovem a conquistou com baladas cantadas à sua janela. O pai não quis entregar o seu tesouro tão facilmente, e a história acaba numa fonte mágica. A escultura em metal rendilhado fica num largo junto às antigas fábricas.
9. Os murais das antigas fábricas de conservas

Durante muito tempo Olhão viveu da indústria conserveira, com dezenas de fábricas de sardinha e atum. Hoje as paredes dos antigos edifícios fabris estão cobertas de grandes murais a preto e branco sobre a vida dos operários e dos pescadores.
10. O monumento ao Patrão Joaquim Lopes

Joaquim Lopes nasceu em Olhão em 1798 e começou a trabalhar no mar aos dez anos. Mais tarde chefiou o serviço de salvamento de Paço de Arcos, perto de Lisboa, e salvou muitas vidas, o que lhe valeu a fama de «homem que venceu o mar». O monumento fica no extremo nascente da frente ribeirinha, onde o passeio termina.
Quanto tempo demora?
Sem paragens longas, 60 a 90 minutos. Se passear pelo mercado ou almoçar na frente ribeirinha, conte com 2h30 a 3h.
Dicas práticas
- Quando ir. O mercado tem mais vida de manhã, sobretudo ao sábado. Para passear pelos bairros antigos serve qualquer hora de luz natural.
- Época do ano. Olhão visita-se bem durante todo o ano.
- Acessibilidade. O centro histórico tem calçada tradicional e ruas estreitas.
- Calçado. Confortável, para caminhar.
- No verão. Leve água e chapéu.
Perguntas frequentes
Onde começar um passeio por Olhão?
Na frente ribeirinha, junto ao Marina Ria Center, na Avenida 5 de Outubro — daí segue-se facilmente à beira da água até ao centro antigo e aos mercados.
Posso parar para almoçar pelo caminho?
Sim. À volta dos mercados e ao longo da frente ribeirinha há muitos restaurantes com peixe fresco e marisco.
É fácil explorar Olhão a pé?
Sim. O centro histórico é compacto e plano.
É adequado para crianças?
Sim. As crianças costumam adorar procurar as esculturas das lendas e ouvir as suas histórias.
Palavras finais
Olhão é bem diferente da vizinha Faro: menos monumentos e mais vida quotidiana — mercados, barcos, roupa a secar nas varandas e uma lenda em cada esquina. Faça o percurso com calma, passe pelo mercado e guarde tempo para se perder nas ruas da Barreta.
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